Domingo, 19 Abril 2026
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Confederação do Desporto diz que Estado central “tem falhado demasiadas vezes”

A Confederação do Desporto de Portugal (CDP), que saudou, recentemente, o anúncio do Governo de reforçar em cinco milhões de euros (ME) o apoio ao setor do Desporto, considerando tratar-se de “um sinal positivo, que aponta no sentido certo”, recordou, através do seu presidente, Daniel Monteiro, no Palácio Nacional de Queluz, Sintra, na primeira edição dos Prémios “Voz do Desporto”, que o Estado central tem falhado “demasiadas vezes”.

“Hoje celebramos a gratidão. Porque cada federação que hoje distingue uma personalidade ou uma entidade está a dizer algo muito importante ao país: que o desporto português não se constrói sozinho, não se sustenta sozinho e, acima de tudo, também não sobrevive sozinho”, afirmou o presidente da CDP, sublinhando que o desporto nacional assenta num esforço conjunto de múltiplos agentes, muitas vezes fora do foco mediático, mas absolutamente essenciais à sua continuidade, apontando baterias para o topo da cadeia.

“Há uma verdade que importa afirmar com frontalidade: quando o Estado central falha, e tem falhado demasiadas vezes, são estas instituições, estas empresas, estas autarquias, estes dirigentes e estes agentes desportivos que seguram o dia a dia das federações e das modalidades. São eles que ajudam a pagar equipamentos, deslocações, inscrições e, muitas vezes, a própria sobrevivência das estruturas desportivas. São eles que evitam que o sistema pare”, destacou Daniel Monteiro, frisando o trabalho crucial feito pelas autarquias na promoção do desporto, após entregar o prémio de Personalidade/Entidade do Ano 2025 à Associação Nacional de Municípios Portugueses.

O poder local é o “parceiro mais próximo de toda a realidade envolvente das federações” e quem ajuda a “manter viva a prática desportiva organizada”, porque, frisou, “apoiar o desporto não é um luxo”.

 

Mudar o paradigma

“Em todas estas etapas há um denominador comum: as federações desportivas. São elas as entidades de cúpula do desporto português. (…) Mas importa dizê-lo com clareza: é precisamente com as federações que o Estado central e os sucessivos governos mais têm falhado. Ao longo dos últimos anos, a prioridade política foi, quase sempre, reforçar o investimento nos projetos olímpico e paralímpico. Esse investimento foi importante e permitiu colocar Portugal em linha com a média europeia no apoio à preparação da elite. Mas esse caminho, por si só, é manifestamente insuficiente. O que hoje o desporto exige ao Governo é outra coragem: investir na atividade regular das federações desportivas e no desenvolvimento estrutural das modalidades. Porque é precisamente nas etapas anteriores que o sistema tem ficado por reforçar. Na base e deteção de talentos. Na profundidade competitiva nacional. Na qualificação de treinadores, árbitros e juízes. E no fortalecimento dos clubes, das associações regionais e territoriais e das próprias federações. (…) Se queremos continuar a ter sucesso internacional daqui a 8, 10 ou 12 anos, então temos de investir muito mais abaixo da linha de chegada. Temos de investir no início do percurso. Na democratização do acesso. Na ligação entre desporto escolar e desporto federado. Na solidez dos quadros competitivos. Na capacidade organizativa de quem está todos os dias no terreno”, vincou Daniel Monteiro.

 

Foto: CDP