Sexta-feira, 05 Junho 2026
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Projeto da APTN em São Tomé e Príncipe pretende ensinar crianças a nadar e desenvolver a natação no país

A Associação Portuguesa de Técnicos de Natação (APTN) lançou, em 2024, o projeto “STP a NADAR – Uma onda de mudança em São Tomé e Príncipe”, estando neste momento numa fase decisiva para atingir os objetivos propostos até final de 2027.

Este projeto tem como eixos fundamentais “qualificar recursos humanos na área do desporto”, “promover o desenvolvimento da natação e das atividades aquáticas em São Tomé e Príncipe”, garantir condições seguras e sustentáveis para a prática e para o ensino e da convivência com as orlas costeiras” e “criar uma rede de cooperação entre instituições públicas, privadas e sociedade civil”.

Foto: APTN

O “STP A Nadar” é uma iniciativa da APTN, em parceria com a Federação de Natação de São Tomé e Príncipe (FNSTP), com início em novembro de 2024 e duração prevista até dezembro de 2027que tem, ainda, quatro eixos estruturantes:

– Formação e Capacitação Técnica – criação do primeiro curso de Técnicos de Atividades Aquáticas de Mar, qualificando professores e monitores locais;

– Empregabilidade e Desenvolvimento Comunitário (geração de novas oportunidades profissionais ligadas ao desporto e ao turismo sustentável);

– Segurança Aquática e Prevenção (proliferação do ensino de técnicas de sobrevivência, salvamento e suporte básico de vida);

– Inclusão e Participação Social (dinamização de escolas aquáticas de mar, festivais, eventos e campanhas educativas que envolvem escolas, famílias e comunidades);

– Formação para a sustentabilidade (educação para a promoção de práticas ambientalmente sustentáveis na utilização das praias (cuidados com a limpeza, com a proteção da biodiversidade marinha e adaptação a enxurradas e inundações).

Foto: APTN

Rita Fernandes, que foi nadadora, treinadora e coordenadora de escolas de natação no FC Porto, dedicando-se atualmente à gestão desportiva e à área da responsabilidade social no desporto, integrando a comissão APTN Social, aponta que “o grande desafio para 2026 e 2027 passa agora pela formação de formadores locais. Com a criação da escola de natação, que já conta com cerca de 85 alunos, será fundamental reforçar as competências técnicas para garantir continuidade, autonomia e, eventualmente, o desenvolvimento de grupos de competição em águas abertas.”

Não obstante as diferenças estruturais e socioeconómicas de São Tomé e Príncipe relativamente a Portugal, é de salientar que, “em Portugal, apesar de existir maior capacidade instalada, ainda estamos longe de explorar plenamente o nosso potencial. O ensino da competência aquática não está integrado de forma sistemática no currículo escolar, persistem desigualdades territoriais significativas no acesso à aprendizagem da natação e não existe uma estratégia nacional clara para o aproveitamento educativo, recreativo e desportivo dos recursos hídricos naturais”.

Pelo que Aldo Costa, Professor na Universidade da Beira Interior (UBI) e Presidente da APTN, sublinha que a criação da Comissão APTN Social teve exatamente o propósito de “estruturar respostas de responsabilidade social orientadas para a literacia aquática e para a redução do risco de afogamento junto de populações mais vulneráveis”. Pelo que o projeto desenvolvido em São Tomé e Príncipe “foi, nesse sentido, um laboratório fundamental para testar metodologias, avaliar impacto e consolidar uma visão estratégica”, estando a ser preparadas iniciativas em Portugal.

 

Saiba mais sobre este projeto, incluindo uma entrevista alargada a Rita Fernandes e Aldo Costa, numa próxima edição da revista HCTREINODESPORTIVO.PT.

Fotos: APTN