A FADU – Federação Académica de Desporto Universitário apresentou o “Estudo de Diagnóstico do Desporto Universitário nas Instituições de Ensino Superior em Portugal”, documento que revelou “carência estrutural severa, dependência crítica de parcerias externas, défice de financiamento e desalinhamento com as melhores políticas europeias de promoção do Desporto e de saúde mental da população estudantil”, tendo sido revelado que “61% das Instituições de Ensino Superior não dispõem de instalações desportivas e 89% das instituições estão dependentes de parcerias externas para a prática desportiva”.
No mesmo estudo é dito que 87 por cento das faculdades consideram que o desporto tem uma relevância significativa para a experiência académica e saúde mental dos estudantes.
“Paradoxalmente, os responsáveis institucionais reconhecem de forma muito significativa (87%) a relevância do desporto para a experiência académica e para a saúde mental dos estudantes. O estudo evidencia um elevado consenso quanto ao papel da atividade física na integração social e na redução do stress académico, sublinhando, contudo, um claro desfasamento entre o reconhecimento estratégico desta importância e a prioridade efetivamente refletida nos orçamentos e planos institucionais. Este paradoxo torna-se ainda mais evidente quando comparado com outros contextos europeus. Enquanto em Portugal 61% das instituições não dispõem de instalações desportivas próprias, em países como Espanha mais de 90% das universidades públicas possuem complexos desportivos próprios, frequentemente geridos pelos respetivos serviços de desporto universitário”, destaca a FADU
As diferenças de financiamento comparando com outros países
Também ao nível do financiamento existem diferenças relevantes: em vários países europeus, como França ou Alemanha, o desporto universitário está integrado nos serviços de ação social e beneficia de dotações públicas diretas, refletindo uma visão estratégica que encara o desporto como instrumento de promoção da saúde e do bem-estar estudantil.
“Portugal reconhece quase de forma unânime o contributo do desporto para a saúde mental dos estudantes — com uma valorização próxima do nível máximo — mas continua a ser um dos países europeus com menor investimento em infraestruturas próprias no ensino superior. Este é um paradoxo que precisa de ser enfrentado com políticas públicas mais consistentes”, acrescentou Diogo Braz.
As medidas
Diogo Braz elencou a necessidade de reforçar as políticas públicas de apoio ao desporto universitário:
“Para a FADU, este diagnóstico constitui uma ferramenta essencial de conhecimento e de advocacy institucional, permitindo sustentar a necessidade de políticas públicas mais robustas para o setor. A federação defende a criação de linhas de financiamento específicas para infraestruturas desportivas no ensino superior, bem como a integração formal do desporto nos modelos de financiamento base das instituições, garantindo o acesso universal à prática desportiva enquanto instrumento de saúde, sucesso académico e desenvolvimento integral dos estudantes”, termina Diogo Braz, presidente da FADU.
Foto: FADU