Sábado, 10 Outubro 2026
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Nadador paralímpico Diogo Cancela elogia no 2026 ASPC European Forum «ligação» entre universidade e centros de treino

O nadador paralímpico Diogo Cancela, medalhado em Paris-2024 e recém-formado em Engenharia Eletrotécnica, apresentou, em Rio Maior, um exemplo de articulação entre carreira académica e alto rendimento, no painel dedicado a ‘Perspetivas de Atletas: Percursos, Desafios e Carreiras Duas no Desporto Paralímpico’, moderado por Leila Marques e com a participação de David Grachat, Carla Oliveira e Norberto Mourão além do próprio Diogo Cancela, que pertence a uma geração diferente daquela que, nesse mesmo painel do Fórum da ASPC, recordou as dificuldades enfrentadas pelos atletas com deficiência nas décadas de 1980 e 1990.

Nascido em 2002, chegou ao desporto num contexto em que, apesar de persistirem obstáculos, encontrou estruturas mais preparadas para receber atletas com deficiência.

No Fórum da ASPC, em Rio Maior, o nadador paralímpico falou sobretudo da conciliação entre o alto rendimento e a vida académica, tendo revelado, com orgulho, que terminou, há apenas um mês, o curso de Engenharia Eletrotécnica.

“Já sou engenheiro”, anunciou, com satisfação, perante a plateia.

A conquista académica aconteceu enquanto mantinha uma carreira internacional na natação paralímpica, depois de ter alcançado uma medalha nos Jogos Paralímpicos e resultados relevantes em campeonatos da Europa.

“Cada pequena conquista é importante. É isso que tenho de levar no meu dia-a-dia: fazer cada pequena conquista, porque quando fazemos muitas pequenas conquistas pode ser uma grande conquista”, atirou, acrescentando que essa é uma filosofia que se aplica tanto ao desporto como à vida académica.

Universidade e Centro de Treino

Um dos aspetos mais relevantes do testemunho de Diogo Cancela foi a articulação entre a Universidade de Coimbra e o Centro de Treino de Coimbra.

O nadador faz parte do Centro de Treino há cerca de quatro/ cinco anos e considera que a conjugação das duas estruturas foi determinante para conseguir manter a carreira desportiva enquanto frequentava o ensino superior. “Conciliar a Universidade de Coimbra com o Centro de Treino de Coimbra é o ouro sobre o azul. Temos os melhores treinadores, os melhores atletas” e, sobretudo, “uma estrutura em que universidade e centro de treino trabalham em conjunto”, sublinhou.

“Ter ali tudo e ter toda a gente a trabalhar para nós, tanto a universidade como o Centro de Treino, a trabalhar pelos atletas e pelos estudantes que temos, acho que é muito bom”, juntou.

A sua experiência é um exemplo concreto do conceito de carreira dual: o atleta não precisa necessariamente de escolher entre estudar e competir. “Podemos fazer as duas coisas”, disse.

Pode existir uma terceira via, desde que as estruturas tenham capacidade para adaptar horários, acompanhar o estudante-atleta e garantir condições para o treino.

Sobre o futuro, e ao contrário de Carla Oliveira, que trabalha, pratica desporto e… é mãe, garante, ainda que tenha margem para continuar a competir e pretenda aproveitar essa possibilidade enquanto mantiver capacidade e motivação para alcançar resultados, que não necessariamente conciliar uma carreira profissional tradicional com o alto rendimento. “Não quero conciliar o trabalho com o desporto. Não acho que seja viável para mim”, afirmou.

O 2026 ASPC European Fórum, organizado pelo Rio Maior Sports Centre e pela Fundação do Desporto, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, decorreu de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.

Saiba mais sobre o evento aqui.
e acompanhe mais destaques sobre este Fórum na HCDESPORTO.PT