Sábado, 10 Outubro 2026
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Danilo Ferreira destacou, no 2026 ASPC European Forum, o crescimento do andebol em cadeira de rodas em Portugal

Danilo Ferreira, selecionador nacional de andebol em cadeira de rodas, apresentou no Fórum da ASPC o projeto que a Federação Portuguesa de Andebol (FAP) criou em 2010 para o desporto adaptado, estruturado em quatro áreas: deficiência intelectual, deficiência auditiva, deficiência motora e centros educativos.

Na deficiência intelectual, destacou um projeto-piloto lançado em Setúbal, entre 2017 e 2018, quando integrou uma equipa de jovens com deficiência intelectual na Associação Nova Setúbal, a competir lado a lado com atletas sem deficiência.

E, apesar do ceticismo inicial – “Disseram-me que íamos perder todos os jogos por vinte”, atirou, acrescentando que a equipa venceu dois dos primeiros cinco jogos e começaram a pedir para nós irmos jogar com eles” –, a aposta foi bem sucedida. Mas há muito a fazer.

Revelou, no Fórum da ASPC que decorreu em Rio Maior, que existem conversações com várias entidades para tentar implementar, ainda este ano, o andebol na vertente surdolímpica. “Seria uma mais-valia para o desporto português”, sublinhou.

Danilo Ferreira explicou, depois, que é na deficiência motora que o projeto lançado em 2010 está mais consolidado: o andebol em cadeira de rodas joga-se hoje em Portugal em duas variantes, com sete clubes e entre 100 a 180 atletas federados.

O selecionador nacional de andebol em cadeira de rodas admitiu o desafio de recrutar mais mulheres, obrigatórias em campo por regulamento.

Apresentou, depois, ainda os centros educativos, que usam o desporto para ajudar jovens em regime fechado a mudar de percurso, e projetos-piloto em instituições regionais.

“Não treino deficientes, treino atletas”

“Às vezes digo aos pais: eu não treino deficientes. Treino atletas. E os pais ficam a olhar para mim. Eu também. Não, eu treino atletas. Só. E quando nós não conseguimos tirar estes rótulos nós conseguiremos ser uma sociedade mais rica. O meu objetivo de treinador é identificar as dificuldades dos jovens, identificar as capacidades e retirar as melhores capacidades enquanto atleta dentro. É assim que eu trabalho. E é fácil. O desporto, seja ele qual for, é constituído por treinadores, atletas, staff, patrocínio, atletas e famílias. Somos todos atletas. E isto é a maior ferramenta de inclusão que nós temos”, atirou.

Os “bons exemplos” de Tina Relvas e Tiago Cantigas

Antes de fechar a apresentação, deu o exemplo de inclusão, o Tiago Cantigas, natural de Lagoa, que trabalha na GNR, e se sagrou campeão do Mundo. “A primeira vez que o encontrei e falei com ele estava num centro de reabilitação e não tinha objectivo de vida. Puxei por ele e ele acreditou. E, na cidade dele, quando foi campeão do Mundo, colocaram um “outdoor” gigante e isso, para mim, um bom exemplo de inclusão social de alguém que não tinha perspectiva de vida”, juntou.

Deu, ainda, o exemplo de Tina Relvas, natural de Pombal, eleita a MVP do Campeonato da Europa de Andebol em Cadeira de Rodas em 2025. O selecionador nacional de cadeira de rodas mostrou uma foto da atleta numa clinica de reabilitação. “Esta é a Tina. Ela pode ir ali, eu também posso e qualquer pessoa pode ir. E estes exemplos são aqueles em que acredito e que gostaria que fossem seguidos pela nossa sociedade”, finalizou Danilo Ferreira, que arrancou muitos aplausos da plateia.

 

O 2026 ASPC European Fórum, organizado pelo Rio Maior Sports Centre e pela Fundação do Desporto, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, decorreu de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.

Saiba mais sobre o evento aqui.
e acompanhe mais destaques sobre este Fórum na HCDESPORTO.PT