Terça-feira, 13 Outubro 2026
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Leila Marques defende no 2026 ASPC European Forum que “investir em centros de treino específicos multiplica medalhas paralímpicas”

Leila Marques, ex-atleta paralímpica, médica especializada em Medicina Desportiva e atualmente dirigente do Comité Paralímpico Internacional (IPC), traçou, no primeiro painel da manhã de 24 de setembro do Fórum da ASPC, em Rio Maior, moderada pelo Professor Nuno Pimenta, Diretor da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, destinada a abordar o ‘Desporto Paralímpico, a Inclusão e Necessidades Específicas’, com a participação do Selecionado Nacional de Andebol em Cadeira de Rodas, Danilo Ferreira, da Federação Portuguesa de Andebol, Mariana Mello, do Comité Olímpico Brasileiro, e da própria Leila Marques, a história do investimento em centros de treino para atletas com deficiência.

Recuando a 2001 — ano em que Pequim foi escolhida para organizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2008 —, Leila Marques situou aí o “ponto de viragem”: a China passou a investir massivamente em centros de treino dedicados ao desporto adaptado, esforço que a levou a liderar o quadro de medalhas paralímpico já em Pequim 2008.

“Consideramos que este foi um ponto de viragem ao nível do movimento paralímpico. Pela primeira vez, o governo chinês começou a investir de forma massiva no desenvolvimento do desporto adaptado e dos atletas paralímpicos, construindo centros de treino mundial de treinamento por todo o país, onde também os atletas paralímpicos foram contemplados. Os resultados foram rápidos: em 3 anos, a China surgiu praticamente de nada e levou quatro medalhas pela primeira vez nos Jogos Paralímpicos. O seu melhor lugar até então, em 2000, teria sido em Sidney. Em Pequim, 2008, a China dobrou o número de medalhas que teve em relação ao segundo país, a Grã-Bretanha. É, portanto, um crescimento exponencial marcado pelo investimento que teve em centros de alto rendimento e preparação adequada aos seus atletas paralímpicos. E, portanto, em 2008, nos Jogos Paralímpicos, esse foi um sinal de alerta”, destacou Leila Marques no Fórum da ASPC (Association of Sport Performance Centre).

O crescimento repetiu-se em Londres e no Rio de Janeiro, cuja edição de 2016 levou o Governo brasileiro avançou para a construção do Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo — 95 mil m², alojamento para 300 pessoas e apoio a 20 modalidades —, recentemente visitado pelo secretário de Estado do Desporto português, Pedro Dias.

“Em Paris 2024 caíram 165 recordes do mundo e 210 recordes paralímpicos. Los Angeles 2028 deverá reunir cerca de 4.480 atletas”, revelou Leila Marques, que ilustrou, durante a sua apresentação, os 29,33 segundos do nadador chinês sem braços Guo Jincheng nos 50 livres S5; o histórico levantamento de 310 kg do iraniano Siamand Rahman, no Rio 2016; e o salto de 8,72 metros do alemão Markus Rehm.

A dirigente do IPC identificou três modelos de centro de alto rendimento: exclusivamente paralímpicos (China, Brasil); conjuntos olímpico-paralímpicos (Holanda, Japão, Espanha); e, ainda, o modelo português, com 13 centros de alto rendimento e o Centro do Jamor a articular as duas vertentes — alertando para o risco de diluição dos atletas paralímpicos quando essa junção não é acompanhada de política dedicada -, tendo insistido na acessibilidade total (treino, alojamento, transporte), na classificação desportiva, em cuidados clínicos especializados (lesões medulares e próteses) e em políticas de proteção, sobretudo para atletas mulheres com deficiência.

“O desporto paralímpico é, sem dúvida, um desporto de craveira mundial”

Finalizou a sua apresentação com uma citação do presidente do Comité Olímpico Internacional, Andrew Parsons. “O desporto paralímpico é, sem dúvida, um desporto de craveira mundial”, foi a frase que fechou a vasta e rica apresentação de Leila Marques.

O 2026 ASPC European Fórum, organizado pelo Rio Maior Sports Centre e pela Fundação do Desporto, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, decorreu de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.

Saiba mais sobre o evento aqui.
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