O National Altitude Center CNEA Font-Romeu, em França, está situado a cerca de 1.800 metros de altitude e dispõe de estruturas que permitem simular diferentes condições ambientais. Há 14 quartos onde a altitude pode ser alterada durante a noite, dos 1.800 aos 3.500 metros, uma sala hipóxica capaz de simular até 7.000 metros e outra instalação onde altitude, temperatura e humidade podem ser combinadas
Altitude, calor e investigação científica fazem parte da receita do National Altitude Center CNEA Font-Romeu, destacou, em Rio Maior, o cientista Grégory Doucende, que explicou, durante o Fórum da ASPC, num painel que teve como tema ‘Research, Innovation and Development Centers’, como o centro francês procura transformar experiências com atletas em conhecimento científico e, sobretudo, ganhar tempo face à concorrência.
A cerca de 1.800 metros de altitude, o National Altitude Center CNEA Font-Romeu tornou as condições ambientais numa ferramenta de treino e investigação. Foi esse o trabalho apresentado por Grégory Doucende no Fórum da ASPC, em Rio Maior, numa intervenção centrada na ligação entre centros de alto rendimento, atletas e ciência, sendo que o cientista francês defendeu uma ligação “muito forte” e interdisciplinar entre centros de alto rendimento, atletas e ciência.
Doutorado em Ciências do Desporto e responsável por uma equipa de sete elementos, o investigador trabalha diretamente com atletas e federações. Analisa a investigação científica disponível, identifica novas possibilidades e, em conjunto com treinadores e atletas, testa protocolos antes de estes serem transformados em projetos de investigação.
“Se você quer ter uma vantagem hoje, na performance desportiva, tem que estar antes do projeto de pesquisa e desenvolvimento”, afirmou.
É esta antecipação que considera decisiva. Primeiro surge a hipótese, depois o teste com o atleta, com monitorização antes, durante e depois da aplicação do protocolo. Se os resultados forem positivos, avança-se para um projeto científico em colaboração com universidades e laboratórios.
O modelo procura, assim, encurtar a distância entre ciência e terreno, sendo que a experimentação realizada nos centros permite identificar previamente soluções que, mais tarde, podem ser estudadas e validadas pela comunidade científica.
A experiência francesa ganhou particular dimensão no período que antecedeu os Jogos Olímpicos de Paris, com grandes projetos envolvendo centros desportivos, federações e universidades.

Nuno Ramos e a história do Nelo Kayaks
No mesmo painel de debate, moderado pela Professora Rita Santos Rocha da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, e que teve como tema ‘Research, Innovation and Development Centers’, no qual participaram ainda Grégory Doucende, Investigador do National Altitude Center CNEA Font Romeu, e Emiliano Ventura, Diretor da Bio Performance Center – Motor & Sport Institute (MSI), esteve Nuno Ramos, especialista da área que esteve em representação da Nelo Kayaks, marca portuguesa sediada em Vila do Conde que lidera mundialmente o fabrico de caiaques e canoas de alta performance para os Jogos Olímpicos, tendo este historiado o percurso da marca fundada em 1978.
Nuno Ramos explanou os números de fabrico da empresa vila-condense, sublinhando que todos os kayaks são feitos manualmente na fábrica que “serve” mais de 100 países.
Em cada ciclo olímpico, os kayaks fabricados em Vila do Conde têm vindo a conquistar mais medalhas e, em Paris-2024, foram perto de duas dezenas que, claro, deixa “orgulhosos” todos os que trabalham na empresa fundada, em 1978, por Manuel Alberto Ramos que, na altura, arrancou com a M.A.R. Kayaks, lda, com a sua fábrica e escritórios situados em Canidelo, Vila do Conde.
Nuno Ramos destacou, ainda, que os kayakes ali feitos são “especiais” porque têm em conta as necessidades de cada atleta, sendo que o fabrico implica uma “adequação” às medidas de quem usa os kayakes, permitindo, assim, maior “conforto e um rendimento superior” aos canoístas.

O 2026 ASPC European Fórum, organizado pelo Rio Maior Sports Centre e pela Fundação do Desporto, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, decorre de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.
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