Terça-feira, 13 Outubro 2026
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Diretor Técnico do CAR de Anadia destaca ligação entre a ciência e a prática desportiva no 2026 ASPC European Forum

O Centro de Alto Rendimento de Anadia transformou-se, desde a inauguração do Velódromo Nacional, em 2009, numa plataforma internacional de desenvolvimento do ciclismo e de outras modalidades. A evolução da infraestrutura e a importância da abertura ao exterior foram destacadas por Sérgio Fernandes, Diretor Técnico do CAR Anadia, no 2026 ASPC European Forum.

“Hoje quero falar-vos de uma das nossas paixões em Anadia: o ciclismo. Para isso, é preciso voltar um pouco ao passado, aos anos 50, 60, 80 e 90, quando Portugal tinha grandes referências no ciclismo. Atletas que competiram na Volta a França, no Giro de Itália e na Vuelta e que alcançaram lugares de destaque. O ciclismo era, então, um desporto muito popular em Portugal e, particularmente, na região de Anadia. Por isso, em 2006, quando o governo português e a Federação Portuguesa de Ciclismo desafiaram o Município de Anadia para receber o primeiro Velódromo Nacional, foi um momento emocionante. Começámos a sonhar que era possível, um dia, Portugal pudesse voltar a celebrar o ciclismo como um desporto nacional. Foi o início do projeto do Centro Nacional de Ciclismo de Anadia. O centro começou com o Velódromo Nacional, uma infraestrutura que não existia na altura. Para uma cidade com cerca de 27 a 29 mil habitantes, era algo enorme e extraordinário. O Velódromo foi inaugurado em 2009. A pista de madeira foi construída com pinho finlandês e as suas características permitiram-nos receber algumas das melhores equipas do mundo, sobretudo no ciclismo de pista. Começámos a convidá-las para treinar nas nossas instalações. Atualmente, por exemplo, temos a equipa britânica de sprint em Anadia a preparar os Campeonatos do Mundo. A equipa de endurance também está presente e uma equipa espanhola chegará para preparar a competição”, destacou Sérgio Fernandes, sublinhando, ainda, que o projeto ultrapassou, há muito, a dimensão do ciclismo.

O CAR passou a reunir condições para modalidades como ginástica, judo e esgrima, além de integrar espaços de investigação, avaliação e recuperação.

“O centro foi crescendo e tornou-se muito mais do que um espaço dedicado ao ciclismo. Passámos a dispor de condições para ginástica, judo, esgrima e outras modalidades, procurando criar um verdadeiro centro internacional de treino. Temos também espaços de treino, áreas de investigação e avaliação, serviços de teste e condições para estabelecer uma ligação entre investigadores, centros académicos, treinadores e atletas”, vinca Sérgio Fernandes.

A ligação entre ciência e prática desportiva assume igualmente importância. “Gostaríamos de trabalhar como uma plataforma ou uma interface entre centros de investigação, universidades, treinadores, atletas e responsáveis de performance”, explicou.

A mudança de 2019

Em 2019, o reconhecimento pela União Ciclista Internacional como centro satélite europeu do Centro Mundial de Ciclismo reforçou a dimensão internacional do CAR de Anadia. O espaço passou a receber atletas, treinadores, mecânicos e dirigentes de diferentes países.

O feedback de treinadores nacionais e internacionais permite identificar problemas e melhorar processos. A experiência internacional, defende, deve funcionar nos dois sentidos: receber conhecimento e experiências de outros países, mas também aprender com quem passa pelo centro.

“É muito importante sermos humildes o suficiente para perceber que precisamos do feedback dos treinadores. Todos os passos que demos foram discutidos com as equipas técnicas e de performance. O nosso objetivo é continuar a evoluir e a criar melhores condições para os atletas”, sublinhou, destacando, ainda, a formação como pilar do desenvolvimento do CAR de Anadia/Sangalhos.

“Recebemos atletas estrangeiros apoiados pela Solidariedade Olímpica e procuramos garantir que possam continuar os seus percursos educativos. O mesmo acontece com treinadores, mecânicos, árbitros e dirigentes ligados ao ciclismo. Temos alojamento, alimentação e condições de recuperação, além de várias instalações desportivas nas proximidades. Em 2019 demos outro passo importante, reforçando as condições ligadas ao ciclismo, nomeadamente com pistas e estruturas para BMX e BTT e com o centro de avaliação e investigação”.

 

 

O 2026 ASPC European Fórum, organizado pelo Rio Maior Sports Centre e pela Fundação do Desporto, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, decorre de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.

Saiba mais sobre o evento aqui.
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