Terça-feira, 13 Outubro 2026
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Contributos e necessidades dos CAR em prol do sucesso desportivo em debate no fecho do dia HIGHSPORTUGAL

O quarto e derradeiro painel do dia 22 de setembro, dedicado ao alto rendimento nacional no âmbito do 2026 ASPC European Fórum que decorre até sexta-feira em Rio Maior, foi dedicado ao ‘Impacto dos Centros de Alto Rendimento (CAR) na Preparação e Sucesso Desportivo Nacional’, com a participação de Joana Carvalho, Treinadora e Professora do Instituto Europeu de Estudos Superiores, Jorge Braz, selecionador nacional de futsal, pela Federação Portuguesa de Futebol, e Miguel Nascimento, atleta olímpico de natação, e moderação de Susana Feitor, Presidente do Conselho de Administração da Fundação do Desporto, um dos organizadores, com o Rio Maior Sports Centre, do 2026 ASPC European Fórum, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, e que decorre de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.

Numa sessão cujo objetivo foi “ouvir atletas e treinadores”, de “modalidades coletivas e individuais”, à questão do impacto que os CAR têm na preparação dos atletas, a resposta foi amplamente positiva, não obstante as necessidades que os próprios centros apresentam e que constituem desafios que poderão, sendo abordados e ultrapassados, significar um investimento no ainda maior sucesso desportivo nacional.

Com efeito, Joana Carvalho, treinadora de ginástica artística feminina (apesar de considerar a docência como atividade principal, porque “não se vive da ginástica, talvez daí não haja treinadores novos a surgir”), modalidade ligada ao CAR da Maia, explanou desde logo vários parâmetros que concorrem para concluir que os CAR proporcionam “contributos para o rendimento, sim, se houver condições para trabalhar nesses resultados”. Os CAR funcionam como centros de treino, teoricamente com valências-chave como: “apoio especializado, infraestruturas de excelência, apoio multidisciplinar, eventos e estágios”, numa perspetiva multifuncional que, contudo, nem todos os centros proporcionam.

Pegando no exemplo do “que é que o CAR dá à ginástica?“, podemos notar que “alojamento? Anadia tem, a Maia não. Fisioterapia, é insuficiente. Medicina desportiva, psicologia do desporto e nutrição, avaliação, controlo do treino e investigação, tem que se procurar fora”. Ou seja, da “teoria à realidade” o impacto real, para o trabalho de atletas e treinadores, tem que se avaliar segundo as “limitações observadas”, ao que se podem adicionar “a (falta de) respostas da rede nacional a necessidade educativas especiais“.

Nos aspetos destacados associados à atividade dos CAR – ciência e inovação, saúde e bem estar, promoção do sistema desportivo, impacto social – é preciso, então, reparar no que acontece no terreno e no potencial que há por cumprir. Se como pontos fortes evidenciamos o “apoio a seleções e acolhimento de estágios e eventos internacionais”, há “obstáculos nas instalações especializadas insuficientes”, a “constante necessidade de atualização de equipamentos” para seguir os padrões internacionais, relevantes em modalidades como a ginástica, além das “deslocações dispendiosas” e dos “recursos humanos especializados escassos”, o que acresce a um panorama em que “as federações não têm recursos e dependem dos pais”.

Jorge Braz, não obstante possuir condições federativas de trabalho superiores à média desportiva nacional, e apesar do cenário antes descrito, recorreu à sua experiência histórica precisamente no CAR de Rio Maior para expor “uma visão, um exemplo” do que significaram as “experiências de qualidade” promotoras de resultados a partir dos sentimentos promovidos neste centro, permitindo a equipas “estar em casa”, “estar em família”, sentir como “é bom voltar” a um espaço com condições de trabalho, em que tudo parece funcionar e em que todos estão “sempre disponíveis para arranjar soluções” sempre com a “preocupação central: atletas!”

Por outro lado, apontou a capacidade de adaptabilidade, do trabalho complementar, de aspetos como “a qualidade de alimentação, o conforto e lazer, a proximidade, o repouso, a recuperação”, como fonte de “alegria no trabalho”, notável nas “ações sociais” dinamizadas, numa forma representativa de que neste centro “vive-se desporto”, um ponto central para o desenvolvimento do trabalho, apesar de haver sempre condicionantes ou melhorias a fazer.

O nadador olímpico Miguel Nascimento sublinhou, por seu turno, a importância dos Centros de Alto Rendimento (CAR) na carreira dos desportistas em resposta às limitações dos clubes para formar atletas de alta competição.

“Aqui tornei-me profissional do desporto”, afirmou, sublinhando o impacto positivo do Centro de Alto Rendimento de Rio Maior, onde começou a treinar em setembro de 2014, vindo do Algarve onde não tinha as mesmas condições para treinar. Aqui começou por ter “oportunidade para vir cá um ano” em regime de internato, pertencendo a um “grupo de treinos competitivo”, que lhe permitiu “aprender novas coisas, dar valor àquilo que teve acesso, criar a resiliência em viver à distância”, através de características como a “proximidade de tudo”, por exemplo da escola, articulando melhor o programa de treinos com a grande carga horária diária, o que em termos gerais poderá permitir não ter que escolher entre “os estudos e os treinos”.

Em resumo, “um CAR é um ‘’cluster’ de atletas que estão vocacionados para o mesmo objetivo”, reconhecendo que a sua carreira de desportista beneficiou do facto de ter tido acesso a “uma piscina e uma escola a dois minutos a pé”, proporcionando o “repouso” crucial para os atletas de alto rendimento.

 

Na última parte da conversa que fechou o dia, Joana Carvalho apontou exemplos internacionais, como o do CAR Madrid, exemplo com “salas especializadas, com equipamento para campeonatos do mundo, valências mais exclusivas”, bem como de “outro mundo, realidades diferentes” como as de Shangai. Curiosamente, durante o período de covid a experiência revelou que houve “mais condições, por ex. silêncio, concentração, espaço para nós“, mesmo nos clubes (referência natural ao Acroclube da Maia), o que faz prever que se poderá replicar algumas dessas condições para que possam surgir novos casos como o ginasta “Filipa Martins neste contexto português“.

A questão de um “equilíbrio” entre o que se tem e o que se precisa efetivamente foi reforçada por Jorge Braz, sublinhando como o “ambiente impacta no desempenho” por forma a “não desvalorizar sempre o que temos”: “será que precisamos de tudo top a nível de serviços?”, pergunta, ao que a moderadora Susana Feitor aduziu a importância da “capacidade de adaptação”.

Contudo, a diferenciação dos CAR face às “condições normais” indiciam como “esta rede [de CAR] terá dado ao país resultados relevantes ao país ao longo dos últimos anos”, como no exemplo de Anadia referido pelo participante e ex-nadador olímpico Nuno Laurentino. Com efeito, Miguel Nascimento resume que “não termos que pensar em fatores externos, com as condições de alto rendimento, é o que faz a diferença, é o que nos diferencia como atletas de alto rendimento”. Joana Carvalho exemplifica, recuperando a análise que antes tinha feito, que não depender de deslocações e valências como “fisioterapia num lado da cidade, médico do outro lado da cidade”, o transporte da escola ao clube para o treino, tudo influi no esforço que os centros podem colmatar, evoluindo.

A capacidade de adaptação às circunstancias, aos locais, às pessoas, às exigências, em prol do atleta e da performance, deve nortear num alinhamento para uma “mesma ambição”, porque a procura de melhores condições não faz esquecer que o importante, hoje, é “primeiro formar pessoas”, até porque muitas vezes “não somos profissionais”, conclui.

 

Recorde-se que o 2026 ASPC European Fórum, organizado pelo Rio Maior Sports Centre e pela Fundação do Desporto, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, decorre de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.

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