Sábado, 10 Outubro 2026
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Novas perspetivas de formação e CAR como centros de conhecimento no dia HIGHSPORTUGAL

No primeiro painel da tarde de dia 22 de setembro, dia dedicado ao alto rendimento nacional no âmbito do 2026 ASPC European Fórum que decorre até sexta-feira em Rio Maior, o Professor Abel Santos, da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, moderou uma sessão na qual participaram os Professores André Seabra, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Tiago Barbosa, em representação da European Aquatics, e Pedro Sequeira, em nome da Confederação de Treinadores de Portugal, sobre a temática da ‘Capacitação, Qualificação e Desenvolvimento de Recursos Humanos nos Centros de Alto Rendimento’

O Professor André Seabra, Diretor da FPF Academy, a academia de formação desta federação, e professor na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, expôs como na FPF se tem implementado uma nova perspetiva sobre a “capacitação e formação dos agentes que trabalham na federação”, no âmbito das suas quatro modalidades: futebol, futsal, futebol de praia e walking football. Na sua reflexão apontou que “deixei de acreditar que os anteriores programas de formação façam sentido”, pois são “muito centrados nas formações direcionadas para certos profissionais” quando “hoje têm que se focar nos problemas do ecossistema, que se querem resolver”. Por exemplo, a performance do atleta. “Temos que ser capazes de resolver os problemas dos clubes” e dos treinadores, afirmou, reiterando que a oferta formativa no desporto “está ultrapassada” e que deve ser pensada, isso sim, “em função da realidade dos clubes e dos atletas”.

Já não fazendo sentido a mera transmissão de conhecimentos, ou a mera exposição, o seu entendimento “é que temos que pensar nos problemas e menos na profissão”, temos que “resolver problemas”, e para tal é necessário “alterar os programas de formação dos atletas para uma oferta mais centrada nos problemas dos clubes e na procura de soluções interdisciplinares“, o que deve se tido em conta também nos Centros de Alto Rendimento (CAR).

Outro ponto referido tem que ver com a “equipa por detrás do treinador”, que é “composta por diferentes profissões”: “vivemos hoje um quadro de rendimento desportivo dependente de equipas com ‘inter ou transdisciplinaridade’, com visões e objetivos semelhantes”, pelo que as novas ofertas formativas devem ter isto em conta. Além disso, devem ser criados “ambientes de simulação”. Por exemplo, um parceiro da FPF, a CUF Academic Center, “está a trabalhar em ambientes de simulação, neste caso de emergência médica“.

Para além da abordagem a partir da procura de soluções, da transdisciplinaridade e do ambiente de simulação, André Seabra destaca outro patamar de reflexão, que é o “partilhar e combinar, trabalhar em conjunto”. Para o universo do alto rendimento, isto pode se aplicar ao CAR numa determinada realidade, por exemplo, Rio Maior, assumindo o CAR “como centro de conhecimento, onde se possa vir aprender. Segundo três pilares: “capacitação, investigação e transmissão de conhecimento” no seu ecossistema.

Tiago Barbosa, da Universidade Politécnica de Bragança, e representando a European Aquatics (EA) neste painel, da qual de 2022 até 2026 fez parte da comissão treinadores, mais precisamente, na EA Academy, “um hub dirigido [driven] pela inovação para a formação e desenvolvimento da comunidade da EA” no âmbito de várias vertentes da natação, com uma ação direcionada em simultâneo “para treinadores, atletas, árbitros e gestores”.

Na verdade, não se pretende apenas uma multidisciplinaridade, que é algo estanque, mas uma “inter (entre duas vertentes, por ex. fisiologista e biomecânico) ou transdisciplinaridade (os de cima e o treinador adjunto, por ex.)“, nas políticas de capacitação de recursos humanos. A formação não tem, desta forma, apenas uma via de acesso, bem como se valoriza o ‘upskilling’. Por outro lado, proporciona-se a criação de sinergias, assim como a “acreditação do treinador, que precisa de licença reconhecida pela EA”, pode ser feita pela via “formal” ou pela carreira e conhecimentos adquiridos, conforme reconhecimento federativo nacional.

Relativamente aos níveis de formação, ao nível 0 (ensinar a nadar), juntam-se quatro níveis, desde o de treinador assistente, o associado ao treino de grupos de jovens e de formação, o de treinador de atleta, até a um nível 4, ligado a mentorias. Na perspectiva da manutenção de acreditação, em termos de formação contínua, é valorizada a que é feita ou dada neste âmbito. Além disso, o objetivo é o de “não formar apenas treinadores, mas árbitros e atletas ao mesmo tempo”, bem como fomentar a “formação ao longo da vida (com clinics, por exemplo)”.

 

Pedro Sequeira, Presidente da CTP, refletiu sobre os 20 anos decorridos da aplicação do sistema de formação e certificação de treinadores, indicando que foi um avanço, que se tornou a base de valorização do treinador, sendo certo que pode ser ponto de partida para que façam ajustes no futuro, pois é “importante não cometer os mesmos erros”. A formação “baseada em referenciais, com quatro níveis para a carreira formativa do treinador, em todas as modalidades, algumas com alguma especificidade”, apresenta hoje, alguns problemas.

Tendo em conta as vias possíveis de reconhecimento – formação profissional, formação académica, reconhecimento competências, formação obtida no estrangeiro, partindo dos quatro níveis que compõem o percurso possível de formação, podemos constatar que “apenas cinco modalidades em Portugal têm referenciais de grau IV”, o que constitui uma questão a ter em conta “porque apenas os graus III e IV têm competências que interessam ao Alto Rendimento”. Ou seja, “como se resolve o acesso ao topo da hierarquia, para modalidades que ainda não têm?”, “
“como é que apoiamos as federações para ter treinadores para o AR?”

Este ponto repercutiu-se logo a seguir, no período de debate, pois à questão se “os cursos de formação acompanham a necessidade do alto rendimento?” a resposta de Pedro Sequeira indica que “em algumas modalidades sim, noutras não“. Haverá treinadores “com grau III que conseguem cumprir requisitos, mas outros, noutras modalidades, naturalmente que não“. Enfim, conclui, “depois destes anos todos, podemos começar a olhar para as especificidades de todas as modalidades, a partir de uma base na qual se trabalhou com o atual modelo”, para melhorar o processo.

Tiago Barbosa aplica a sua abordagem “em termos internacionais” para incidir na ideia do CAR como “centro de inovação, não só de treino”, estabelecendo ligações entre “todos os membros da equipa, com as instituições de ensino superior, e empresas naquele ecossistema”. O CAR deve ter uma abordagem mais holística, com aporte de muitos agentes para um dado objetivo, transformando-se em “centros de ciência e inovação”.

À questão do público sobre “que tipo de competências ainda não estarão assimiladas por quem trabalho no AR”, André Seabra indica a necessidade de ajuste nos referenciais dos programas de formação, ao nível da “gestão de crise, de liderança, de comunicação”, apontando o exemplo de com o selecionador de futsal “Jorge Braz tem dado passos mais à frente”. Ao que Pedro Sequeira concorda, pois atualmente, com a “transformação e inovação constantes, a formação deve conseguir ajustar-se”, e até para além do que é explorado “através da formação contínua“. Uma ideia lançada teve que ver com “abdicar um pouco de referenciais gerais, para se focar mais nos específicos” neste sentido. Até porque, como acrescentou Tiago Barbosa, as “formações têm que dar resposta imediata aos treinadores no terreno” e “tornar ativo o papel dos treinadores, e não apenas passivo“, significando isso “saber como resolver problemas, desafios”.

Enquadrando os CAR nesta problemática, a ideia de que “um CAR pode capacitar-se em termos de formação de treinadores” pode beneficiar, por exemplo, de “estágios de desenvolvimento do treinadores, atletas e árbitros”, de “criar momentos de partilha, por exemplo de mentoria ou momentos de estágio“, e “formar o próprio treinador para perceber as necessidades para essas funções”. Contudo, estas expetativas de serviço prestados pelos CAR, a promoção de inovação desportiva, e os ovos sistemas dinâmicas formativos dependem do investimento disponível e possível. A interdisciplinaridade e o envolvimento da academia, da indústria, ou mesmo dos municípios no “apoio à inovação no desporto” tem essa condição que está ligada a temas do painel anterior.

Recorde-se que o 2026 ASPC European Fórum, organizado pelo Rio Maior Sports Centre e pela Fundação do Desporto, com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Município de Rio Maior, do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal e do Turismo do Alentejo e Ribatejo, decorre de 22 a 25 de setembro, em Rio Maior.

Saiba mais sobre o evento aqui.
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