O World Athletics Ultimate Championship (Ultimate Championship, de forma abreviada) é uma competição inédita, organizada pela World Athletics, com um formato pensado para públicos televisivos e um prémio monetário avultado (cada vencedor receberá cerca de 130 mil euros). Em vez de medalhas há troféus em disputa, destinando-se o título de ´Ultimate Champion´ para cada vencedor individual. A edição inaugural realiza-se de 11 a 13 de setembro de 2026 em Budapeste, na Hungria.
Anunciada em junho de 2024, a competição marca o encerramento da temporada e ocorrerá em anos pares, no intervalo entre as edições do Campeonato Mundial de Atletismo. O acesso é restrito: estão garantidos automaticamente os campeões olímpicos em título, os campeões do mundo de 2025 e os vencedores da final da Diamond League 2026, ficando as restantes vagas preenchidas pelo ranking mundial. Há ainda wildcards disponíveis.
A competição não abrange todas as disciplinas de pista — são 26 provas individuais (13 masculinas e 13 femininas) e duas estafetas. O triplo salto, por exemplo, ficou de fora desta primeira edição, o que levou, por exemplo, a críticas do português Pedro Pichardo: “Não percebo qual é o vosso problema e menos ainda que tenham tomado esta decisão sem qualquer explicação. Isto não é bom para o nosso desporto”, escreveu nas suas redes sociais.
Portugal, tem de resto, quatro portugueses presentes: Isaac Nader (1500m), Gerson Baldé (salto em comprimento), Agate de Sousa (salto em comprimento) e Fatoumata Diallo (400m barreiras). Em declarações à Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), Fatoumata Diallo referiu estar “muito contente e muito grata de estar aqui e poder competir com os melhores”, e Agate de Sousa sublinhou o impacto que pode vir a ter: “a competição foi bem vista e bem recebida pelos atletas. Estão cá muitos atletas com enorme qualidade. Acredito que é um evento que vem dar muita visibilidade ao atletismo”.
Nova prova pretente juntar a ´nata´ do atletismo, promover a modalidade e melhorar prémios aos atletas
Um dos objetivos do Ultimate Championship foi trazer atenção para as histórias e para as personalidades dos atletas, através de pré-eventos e promoção da participação destes. Por ex. o recordista mundial do salto com vara e participante Mondo Duplantis compôs a canção oficial do evento.
A atenção de novos públicos foi outro dos objetivos, através de embates mais diretos num competição de atletismo que junta
os melhores em temporadas sem Campeonatos do Mundo, preenchendo também o calendário nesses anos. A competição pretende-se sem tempos mortos, e com apelo fortemente televisivo.
Os atletas poderão competir pelo maior prémio monetário de sempre numa prova de atletismo, o que é assumidamente conhecido pelos seus praticantes, em comparação com outras modalidades mais mediáticas. Neste âmbito, além de probabilidades e informações sobre os atletas expostas em tempo real, o ambiente será mais apelativo, com o relvado pintado de negro, para sobressair elementos como os dardos, por ex.
Mas nem todas as disciplinas do atletismo estão presentes. Por exemplo, as distâncias longas como os 10.000m ou os 3000m obstáculos não estarão presentes – a prova mais longa são os 5000m. Também ficarão de fora o lançamento do peso, e a competição de triplo salto só se fará no feminino.
Expectativas e receios de uma nova competição
Além de Pedro Pablo Pichardo, outras vozes têm-se posicionado com alguns receios e críticas face ao Ultimate Championship.
O norueguês Karsten Warholm, apesar de estar apto para participar, nos 400m barreiras, que perdeu recentemente o recorde mundial na distância para o brasileiro Alison dos Santos, defende que a World Athletics deveria “cultivar” a Liga Diamante, pois o novo formato pode se tornar mais difícil de compreender pelos adpetos do atletismo.
Por outro lado, Josh Kerr, atleta dos mais reindivicativos face aos parcos rendimentos dos atletas, referiu que se trata de um progresso a federação internacional estar a colocar “um esforço sério” na melhoria dos prémios dos atletas: “Obviamente que 150 mil dólares é muito dinheiro. Não é tanto como noutros desportos, mas é possível depois de anos a trabalhar o marketing”.