O Porto tornou-se, domingo passado, o primeiro município a confirmar que vai acolher uma etapa da 88.ª Volta a Portugal em bicicleta, edição que assinala o centenário da corrida, fundada em 1927.
O anúncio foi feito este domingo, após a etapa final da Grandíssima de 2026, precisamente na cidade portuense. “Tendo no próximo ano o centenário, faço questão de que o Porto faça parte deste roteiro e somos o primeiro município a dizer que queremos estar na Volta em 2027”, revelou o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, que recordou, na ocasião, o acidente que vitimou o jovem corredor Finlay Tarling, este ano.
“Ninguém se esquecerá de um acidente que nos marcou a todos. Há coisas que não são controláveis. Dentro do que é controlável, esta edição foi um sucesso. No que era controlável, acho que esta edição foi um sucesso e temos condições para fazer igual no centenário. Somos o primeiro município a associar-se à Volta em 2027 e tenho a certeza de que muitos outros se associarão”, acrescentou.
Na conferência de imprensa decorrida no átrio do edifício que é sede da Câmara Municipal do Porto, o diretor de prova, Ezequiel Mosquera, assumiu que os últimos 11 dias foram “os de menos trabalho” após dois meses em contrarrelógio para garantir o percurso de 1.430 quilómetros que os ciclistas cumpriram entre 05 de agosto e hoje.
Convencido de que a chegada ao Porto foi “digna de Volta a França”, o antigo ciclista espanhol realçou que as futuras edições da Volta irão reunir chegadas tradicionais, como as da Torre, da Senhora da Graça e de Fafe, com traçados inéditos, num “país maravilhoso” em que se pode “fazer tudo em termos de orografia”.
“É preciso conservar certos traçados, mas ir procurando traçados inéditos. Tínhamos muita fé na dupla passagem pela Senhora da Graça e na etapa do Gerês. Há etapas que são fáceis de negociar, mas difíceis de vender. A etapa do Gerês foi belíssima. Tentaremos, dentro do possível, inovar sobre a tradição”, salientou, enaltecendo ainda as crescentes audiências televisivas ao longo da prova.
Cândido Barbosa (presidente da FPC)
O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Cândido Barbosa, enalteceu um traçado com “abrangência de todo o território” de Portugal Continental e prometeu trabalho para uma competição melhor em 2027. “Queríamos abranger todo o território e, com a ajuda do Ezequiel [Mosquera, diretor da prova] conseguimos. Se retirássemos esses segundos que infelizmente não dão para retirar [acidente de Tarling], teria sido perfeito. Estamos a começar a trabalhar para 2027. Queremos fazer mais. Quero agradecer também à RTP pela ajuda, pela entrega e pelo gosto que têm neste trabalho. Permitiram que se desse a conhecer a Volta a Portugal”, rematou o líder máximo da FPC.
Pedro Dias (secretário do Estado do Desporto)
O Secretário de Estado do Desporto realçou que a Volta a Portugal é um “veículo de promoção da prática desportiva”.
“O serviço público também se faz desta forma. Quer a Santa Casa de Misericórdia, o Instituto Português do Desporto e da Juventude e a RTP, podem ajudar-nos muito a valorizar e a promover a prática desportiva, como aliás fizeram. É impressionante a capacidade do ciclismo para atrair o público para ver os ciclistas à porta de sua casa ou para se encontrar num outro lugar, no alto de uma serra ou no centro de uma cidade. (…) Estou seguro que, no próximo ano, o ano do centenário, vamos ter mais um grande evento desportivo”, finalizou.
Foto: FPC