Domingo, 19 Abril 2026
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COP assinalou Dia da Mulher com reflexão sobre representação feminina no desporto

A ex-judoca olímpica Telma Monteiro e a atleta surdolímpica Margarida Silva refletiram, na passada quinta-feira, sobre a menor visibilidade mediática das mulheres no desporto, em comparação com o reconhecimento dado aos homens na imprensa e redes sociais.

Para celebrar o Dia Internacional da(s) Mulhere(s), no domingo, o Comité Olímpico de Portugal (COP) organizou um evento na sua sede, em Lisboa, onde apresentou um estudo e convidou as duas atletas para uma mesa-redonda sobre esse tema.

Fernando Gomes, Presidente do COP, abriu a sessão e deu mote para a sessão que contou com as presenças de Telma Monteiro (medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio2016, a atleta mais titulada do judo português e que conta também seis títulos europeus e quatro de vice-campeã mundial) e Margarida Silva (venceu as medalhas de ouro nos 800 e 5.000 metros e prata nos 1500 metros nos Jogos Surdolímpicos Tóquio2025).

“Não se trata apenas de contar quantas vezes as atletas aparecem nas notícias, trata-se de perceber como são retratadas, de avaliar o peso dado às suas conquistas e de perceber que tipo de histórias se contam sobre mulheres no desporto; estes dados permitem-nos agir com maior foco e responsabilidade”, vincou Fernando Gomes.

 

Telma Monteiro: “Desafio grande conseguirmos afirmar a nossa identidade”

“Tive algumas experiências que me permitiram entender que as minhas vitórias não eram celebradas de forma tão efusiva, como se não fossem tão importantes. Acredito que isso influenciou na tentativa de ter patrocínios. Tinha conhecimento de contratos de atletas masculinos que não tinham melhores resultados do que eu e tinham ofertas melhores. É um desafio muito grande conseguirmos afirmar a nossa identidade e os nossos valores quando estamos num caminho de procura de reconhecimento e visibilidade. O que me orgulho muito é que todas as minhas decisões foram de encontro àquilo que eu penso, ao que são os meus valores. Se queremos fazer uma mudança, temos de tomar decisões que não são fáceis, por isso o meu conselho é que sejam corajosas”, destacou Telma Monteiro.

 

Margarida Silva: “Coragem de mostrar aquilo que somos”

“Até tive a visibilidade que não tivemos noutros Jogos Surdolímpicos, pois tivemos connosco representantes do Estado e foi algo que nunca aconteceu antes, mas é um evento que acontece de quatro em quatro anos e, depois, esquece-se. Então, fica muito aquém do que poderia ser a exploração da sua capacidade, até porque tem histórias que dão para vender e que poderiam ser utilizadas por marcas para promover as atletas. “Mostrar-me enquanto mulher, atleta e surda é ter coragem para mostrar aquilo que somos, o que defendemos e o que representamos, o que somos e os nossos princípios”, considerou Margarida Silva, que quer ser um exemplo de inclusão.

 

Foto: COP